terça-feira, 26 de maio de 2015

O Sal












Esse exercício foi difícil de começar e difícil de terminar. Comecei achando que nenhum verbo poderia substituir bem os que usei. E terminei achando difícil escolher o que melhor substituiu. E agora parece que posso trocá-los todos e criar milhares de textos partindo desse.

Exercício 2

Como eu desejaria redigir?

Eu não consegui perceber direito a questão ou mesmo qual o exercício. Quer saber sobre a frequência da atividade? Quer saber sobre como eu imaginaria redigir meus textos? Quer saber sobre como acho que se constitui meu estilo?
Eu desejaria redigir diariamente, não prevejo exatamente quantas horas por dia mas, pra limitar acho que duas horas ficaria de bom tamanho.
Desejaria que meus textos falassem como fotografias antigas que quando achamos, evocam do fundo da mente memórias do que sabíamos em outros tempos, lembranças que conservamos e depois buscamos, sentimentos que circulam empoeirados nos recantos mais profundo de nós mesmos. Desejaria que meus textos promovessem reencontros de mim hoje com essas que vivi em outras épocas, com outras ainda que não atrevi a reconhecer.
Desejaria que meu estilo agisse como as mãos hábeis de um dentista que logra consertar um dente sem anestesia. Que pode manobrar aquela broca infernal de maneira a destruir toda parte estragada pelas cáries sem futucar num nervo, sem arrancar dor. Rabiscar usando o peso que estas palavras me imputam, para criar beleza nos olhos que me enxergam.Desejaria redigir  como vivo, que viesse fácil, não essa palavra não serve, que estivesse inerente, que se fizesse vital. Que mesmo com dor eu continuasse criando, como acontece quando resfolegamos apesar das costelas quebradas.
Desejaria redigir em prosa ou em versos também. Adoraria  converter  essa barragem de mim em água corrente nas torneiras ou num rio que viaja, sem freios e fecunda a terra, que transborda de vida. Desejaria redigir sem a cobrança interna de contentar a todos, mas meu eu megalomaníaco só aceita ser água, só aceita ser ar, que a todos cativa dos quais todos necessitam para sobreviver.
Desejaria redigir para me transformar no verde das folhas das árvores no início da primavera. Um verde fresco e luminoso. Um verde cheio de esperança e pleno de beleza. Vestindo galhos que até a pouco exalavam deserto e desolação sob o sol frio e distante do inverno ou cobertos de neve e gelo das tempestades. Desejaria redigir com a latência da vida que adormece no frio para renascer com o calor da estação seguinte.
Desejaria de redigir sem freios apesar das dores físicas e psicológicas que criar às vezes me causa. Existe essa possibilidade? Desejaria redigir,  sem medidas, sem competições, sem afagos de ego. Sem me proclamar, mais rápida, mais poética,  mais sincera, mais carne viva,  mais bonita. Desejaria redigir sem parecer mesquinha sem parecer imatura, fútil ou infantil. Desejaria redigir letras de água. Desejaria redigir letras de ar.
Parece possível um ego mais megalomaníaco que o meu?

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