segunda-feira, 18 de maio de 2015

1º exercício - Como eu gostaria de escrever?









Como eu gostaria de escrever?



Eu não sei se entendi direito a questão, ou mesmo qual o exercício. É sobre a frequência da atividade? É sobre como eu gostaria que fossem meus textos? E sobre como gostaria que fosse meu estilo?
Eu gostaria de escrever diariamente. Não sei exatamente quantas horas por dia mas pra começar acho que duas horas diárias estaria de bom tamanho.
Gostaria que meus textos fossem como fotografias antigas que quando revemos puxam do fundo da mente, memórias do que vivemos em outros tempos, lembranças que guardamos e depois esquecemos, sentimentos que ficam empoeirados nos recantos mais profundos de nós mesmos. 
Gostaria que meus textos fossem reencontros de mim hoje, com essas que fui em outras épocas, com outras que ainda não ousei ser.
Gostaria que meu estilo fosse como as mãos hábeis de um dentista que consegue restaurar um dente sem anestesia. Que consegue manipular aquela broca infernal de maneira a retirar toda parte estragada pelas cáries sem tocar num nervo, sem causar dor. 
Escrever para tirar o peso que estas palavras me causam mas, sendo beleza nos olhos que me leem. Gostaria de escrever como respiro, que fosse fácil, não essa não é a palavra, que fosse inerente, que fosse vital. Que, mesmo com dor, eu seguisse escrevendo, como fazemos quando respiramos apesar das costelas quebradas.
Gostaria de escrever em prosa e em versos também. Gostaria de transformar essa barragem de mim em água corrente nas torneiras ou num rio que flui sem freios e fertiliza a terra que se enche de vida. Gostaria de escrever sem a cobrança interna de ser agradável a todos, mas meu eu megalomaníaco só quer ser água, só quer ser ar, que a todos agrada, dos quais todos precisam para viver.
Gostaria de escrever para ser o verde das folhas das árvores no início da primavera. Um verde fresco e luminoso. Um verde carregado de esperança e pleno de beleza. Cobrindo galhos que até a pouco eram deserto e desolação sob o sol frio e distante do inverno ou cobertos de neve e gelo das tempestades. Gostaria de escrever com a latência da vida que hiberna no frio para reviver com o calor da estação seguinte.
Gostaria de escrever sem freios apesar das dores físicas e psicológicas que escrever às vezes me causa. Será possível? Gostaria de escrever sem medidas, sem competições, sem afagos de ego. Sem, fui mais rápida, fui mais poética, fui mais sincera, fui carne viva. Fui mais bonita. Gostaria de escrever sem ser mesquinha, sem ser imatura, fútil ou infantil. Gostaria de escrever letras de água. Gostaria de escrever letras de ar.
Será possível um ego que seja mais megalomaníaco que o meu?

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