quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Queria falar de um tópico que foi aberto lá na lista esses dias sobre sexualidade na adolescência. Esse assunto me fez pensar na minha adolescência. E eu particularmente fui tão reprimida nessa época da minha vida, que só a vivi de verdade quando já tinha vinte e poucos anos. Estava na faculdade. E isso foi péssimo por um lado, pois deixei de experimentar um monte de sensações com pessoas que importavam muito para mim nessa época, mas por outro lado foi ótimo por que fui menos irresponsável, tinha mais independência e era mais informada e por isso mais livre.
Tive a chance de ter uma vida sexual ativa antes do casamento, muitas mulheres hoje tem nada de especial nisso. Tive a chance de escolher meus parceiros baseado no meu desejo pura e simplesmente, isso já é um pouco menos comum. Por que sexo dentro de uma relação afetiva é maravilhoso. Mas sexo também pode ser libertador, arrebatador e maravilhoso também, fora de uma relação afetiva/ amorosa. E por que não seria?
Nessa época eu queria experimentar só pelo prazer e para ter experiencia, não queria um sexo como consequência de uma relação afetiva e sim sexo sem expectativas ou consequências fora as do prazer do encontro. Pode parecer bobo mas para mim restringir e atrelar minha sexual a minha experiencia afetiva era como perder uma fonte de informação. E eu estava avida por aprender. Para tudo na vida a experiencia e informação são os meios que julgo melhores para basear minhas decisões. Para mim pelo menos, essas experiencias foram muito importantes. Imprescindíveis.
Para mim ter uma vida sexual ativa é ter poder sobre o nosso corpo, é decidir, é ser responsável por nossas escolhas, pelo próprio prazer e pela nossa saúde. Ter vida sexual traz consigo toda uma reflexão, que nos ajuda a descobrir quem somos e o que buscamos, nas nossas relações afetivas. Reprimir o sexo é portanto em vários níveis, uma forma de opressão e de controle das decisões das mulheres. E a maioria de nós nem se dá conta disso.
Privar as mulheres do prazer sexual, sem culpa, sem julgamentos, sem cobranças, sem estigmatizações é a manobra do patriarcado para substituir os casamentos arranjados, penso eu, as imposições que aconteciam antes do feminismo. O mito do amor romântico que tira a sujeira e o pecado do sexo, mantém as mulheres castas para seus amores. Só pelo amor, e por amor, o sexo é permitido às mulheres. Só com amor, pelo amor e por amor é que há prazer sexual para mulheres é isso que nos ensinam desde sempre. Essa não é uma verdade absoluta, mas serão poucas as que ousarão se aventurar, por esses caminhos para descobrir e desfrutar do prazer. Pois só as mulheres que agem pela a cartilha patriarcal serão as dignas de respeito, pela ótica da sociedade. Fora deste modelo há todo o dicionário de termos que no fim tem o mesmo significado - puta - e cerceiam a liberdade das mulheres.

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