
Em novembro de 2009, eu parti do Brasil, eu morri. Já falei disso aqui, mas vou falar de novo hoje. Sinto que preciso.
Morremos. Nossa nova vida recomeçou aqui em Montreal. Nós quatro, estranhos num mundo novo foi um recomeço difícil, ninguém disse que seria fácil, não esperava que fosse. Mas ainda assim sofri e sofro.
Das coisas que todos falaram que iam ser difíceis eu nem achei muito duras, mas algo que me pegou desprevenida foi a falta dos amigos... Foi ai que a minha porca torceu o rabo...
Fiquei sem amig@s, eles ficaram no Brasil eu estou aqui. Queria ver, conversar e não tinha como. Quando estava no Brasil pensava que isso se resolvia com internet, ledo engano meu. Para internet funcionar as pessoas tem que estar conectadas e tem que querer usar a internet para interagir, tem que querer entrar no msn, skype ou whathever... Nem sempre estamos conectados e com vontade de ver a cara do outro pelo monitor, ou trocar palavras pelos chats da vida. Sofro. Cada um tem suas prioridades.
Nos três primeiros meses eu mandei e-mails gerais dando conta dos acontecimentos mandando fotos da gente aqui... Foi ai que percebi que tinha morrido. Eu mandei e-mails mas não recebi as respostas, não todas, não as que eu esperava, não as que eu queria, foi duro me perceber morta.
Depois desta constatação foram meses tentando ter aqui, amigas que me dessem o apoio que eu tinha lá. Eu tinha amigas incríveis no Brasil, cultivadas, cativadas, por anos e anos a fio, não ia ser fácil, não foi, não tem sido.
Mas vejam só as voltas que o mundo dá. Por causa da minha carência me meti mais e mais na internet. E me dediquei às amizades que estavam disponíveis. Fiquei amiga de Lucianna, a valente, mulher decidida e corajosa, generosa e doce com quem converso por horas no msn, que me ouve, me consola, me apoia, me critica, interage! Gosto de pensar que sou amiga de Luciana a Borboleta que me visita aqui, virei habitué da caixa de comentários da Rita, bati o ponto diariamente no blog da Lola e foi de lá que veio minha redenção.
Foi lá onde ouvi falar do grupo de Blogueiras Feministas. Foi assim que em outubro do ano passado entrei no grupo de discussões das Blogueiras Feministas e ganhei muitas amigas. Mulheres, generosas, atenciosas, inteligentes, disponíveis. Ganho abraços virtuais de mulheres que não conheço pessoalmente ou fisicamente, mas que são ombros amigos a milhares de quilômetros de distancia. Mulheres que admiro muitíssimo e espero um dia ter o prazer de conhecer e abraçar de verdade. Mulheres que me escutam, com quem troco idéias e experiências, que me ajudam e me acolhem. Conversei com algumas delas virtualmente já, outras vem aqui deixar comentários fofos, outras encontro no tuíter, a todas eu quero muito bem.
Falo aqui para quem quiser ouvir. Morri, renasci, mudei, assumi meu feminismo e talvez isso choque algumas das amigas no Brasil, ou não, não há como saber. Não sou mais a mesma sou outra.
Amo ainda meus amig@s, @s que persistem, e também aqueles que esperam por uma notícia minha, mas não me ofertam nenhuma palavra ou aqueles que não se esticam para me alcançar. Amo-os ainda, mas é preciso dizer que a amizade é uma rua de mão dupla, é uma planta que cultivamos. Sem cuidado, nada floresce, a terra seca, a planta morre. De minha parte faço o possível, continuo fazendo, não sei até quando.
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