Minhas lembranças da escola são ruins, algumas tão ruins que nem consigo acessar. Lembro de ser muito pequena e ser aterrorizada no banheiro por crianças maiores. Lembro de um coleguinha de sala perseguindo, a mim e a uma amiguinha, com pinto de fora nos ameaçando, lembro de pedir ajuda a professora e receber como resposta: 'aprenda a se defender sozinha', eu estava no maternal.
Lembro de ser alvo constante da crueldade de outras crianças na hora do recreio, ao invés de ir brincar, lembro de tentar ser o mais invisível possível, para ninguém me bater. Na mesma época lembro de uma menina na minha classe que se divertia em me isolar das outras crianças, em roubar meu lanche ou simplesmente me bater, o objetivo era me fazer chorar e ela sempre conseguia.
De tudo de ruim que minha infância e o convívio escolar me trazem tem uma lembrança que me assombra mais. Acho que foi na alfabetização. No primeiro dia de aula nos sentamos em círculo e tia Vera nos perguntou nosso nome, o nome dos nossos pais e suas profissões, não lembro direito qual foi minha resposta, mas lembro da expressão de nojo no rosto dela, ao escutá-la. Lembro que senti vergonha e desde este episódio lembro de me sentir excluída. Ela não me aceitava ou não me senti aceita. E desde então sempre me sinto sempre assim inferior e inapropriada.
Esse desconforto de tia Vera comigo foi tão sério e afetou tanto meu rendimento escolar, que fui trocada de sala, mas já era tarde demais... Tia Vera e seu preconceito ainda hoje assombram minhas noites insones.
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