domingo, 26 de junho de 2011

As mulheres, o capitalismo e o feminismo


Dia desses eu estava conversando com a mãe de um coleguinha de escola do meu filho. Estávamos falando de como os avanços do século XXI em vários aspectos não modificou para melhor a vida das mulheres.
As mulheres se emanciparam e conquistaram o direito ao voto e ao trabalho fora de casa, mas a grande maioria, mesmo tendo conseguido uma carreira ainda não conseguiu se libertar dos afazeres do lar e o que mais me chateia é a invisibilidade e o pouco valor que o trabalho doméstico tem.
Comentei com ela que achava um absurdo que as mulheres que optam por dedicar-se a criação dos seus filhos e manutenção do lar se o fizerem por toda vida no final vão depender da pensão de seus maridos para sobreviver.
Mas a maior crueldade é que na eventual separação do casal são essas mulheres que vão ser jogadas na sarjeta. As pensões alimentícias visam apenas a manutenção da prole, às mulheres que abdicaram de suas carreiras e dedicaram-se aos filhos contam apenas consigo próprias para se reinserir no mercado de trabalho e para se refazer, numa sociedade que não facilita nada para quem é mulher. Já sabemos, mulheres ganham menos e mulheres com filhos tem mais dificuldade de conseguir um emprego e mantê-lo ou alcançar os mesmos cargos de chefia que homens, casados ou não, com filhos ou não, alcançam.
Não digo que as mulheres sejam incapazes de fazê-lo, pelo contrário vejo acontecer e muito, e elas se reerguem, mas não sem sacrifícios e perdas. E não deixa de ser injusto que toda a importância dessa tarefa que é cuidar de uma casa e criar filhos seja visto como coisa menor e não como um trabalho.
O trabalho corporativo, o funcionalismo público e os profissionais liberais são muito importantes no capitalismo. Mas as mulheres como geradoras e cuidadoras de pessoas são peças vitais. Pense por um momento se todas as mulheres chegarem a conclusão que ser mãe ou cuidadora dá trabalho demais e as compensações não valem a pena o que seria do Capitalismo como modo de produção?
Embora aplaudidas pela sociedade as mulheres que escolhem ser mães e cuidadoras dos seus lares são completamente desamparadas pelas leis, escolher ser dona de casa é escolher ser invisível para a sociedade, embora as mulheres que escolhem se reproduzir estejam dando suporte ao sistema capitalista, criando mais indivíduos que consumem e no futuro serão mão de obra...
Por essas e outras é que acho a luta feminista tão importante. Queria viver numa sociedade em que a mulher pudesse escolher ser só mãe sem ter que depender financeiramente de ninguém. Que quem optasse por viver assim tivesse direito uma previdência e no final da sua vida não precisasse pedir ou depender de terceiros para se sustentar. Queria uma sociedade que não rotulasse as mulheres de cuidadoras para depois dizer que ser cuidadora não é uma ocupação digna de respeito, dignidade e importância.

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