quinta-feira, 25 de junho de 2015

Tão longe, tão perto


Essa é a segunda tentativa desse exercício. A primeira deu ruim. Troquei a conjugação mas não consegui o efeito. Dessa vez acho que consegui. Deixei marcados no texto os verbos que não consegui mudar sem perder o sentido das frases.
Mesmo tendo que refazê-lo achei que foi interessante. Encontrar a conjugação para dar o efeito de distanciamento foi difícil, mas depois que encontrei tudo fluiu. Percebi que uso muitas locuções verbais. Relembrei as conjugações. Relembrei que pouco sei sobre elas, e mesmo depois do exercício continuo sem saber. Foi penoso também, mas por razões que nada tem a ver com o exercício, e sim comigo e minha relação com esse lugar que é o aprendizado. E por isso também foi importante. Mesmo com toda a dificuldade consegui fazer. E estou feliz por isso.






Eu não sabia se entendera direito a questão ou mesmo qual o exercício. Era sobre a frequência da atividade? Era sobre como eu gostava que fossem meus textos? Era sobre como gostava que fosse meu estilo?
Eu gostava que escrevia diariamente não saberia exatamente quantas horas por dia mas no começo acho que duas horas estava de bom tamanho.

Gostava que meus textos eram como fotografias antigas que quando revíamos puxavam do fundo da mente memórias do que vivêramos em outros tempos, lembranças que guardáramos e depois esquecêramos, sentimentos que ficaram empoeirados nos recantos mais profundo de nós mesmos. Gostava  que meus textos eram reencontros de mim hoje com essas que seria em outras épocas, com outras ainda que não ousaria ter sido.

Gostava  que meu estilo era como as mãos hábeis de um dentista que conseguira restaurar um dente sem anestesia. Que conseguira, manipulando aquela broca infernal  retirar toda parte estragada pelas cáries não tocando nervos, não causando dor. Escrevia tirando o peso que estas palavras me causavam, era beleza nos olhos que me liam. Gostava que escrevia como respiramos, era fácil, não, essa não seria a palavra, era inerente, era vital. Que mesmo com dor eu seguia a escrever, como fazíamos quando respirávamos apesar das costelas quebradas.

Gostava que escrevia em prosa ou em versos também. Gostava que transformava essa barragem de mim em água corrente nas torneiras. Ou num rio que fluía sem freios e fertilizava a terra que se enchia de vida. Gostava que escrevia sem cobrança interna se seria agradável a todos. Mas meu eu megalomaníaco só queria  ser água, só queria  ser ar, que a todos agradava, dos quais todos precisavam para viver.

Gostava que escrevia sendo  o verde das folhas das árvores no início da primavera. Um verde fresco e luminoso. Um verde carregado de esperança e pleno de beleza. Cobria galhos que até a pouco foram deserto e desolação sob o sol frio e distante do inverno ou cobertos de neve e gelo das tempestades. Gostava que escrevia com a latência da vida que hibernava no frio e revivia com o calor da estação seguinte.

Gostava que escrevia sem freios apesar das dores físicas e psicológicas que escrever às vezes me causava. Seria possível? Gostava que escrevia sem medidas, sem competições, sem afagos de ego. Sem, era mais rápida, era mais poética, era mais sincera, era carne viva, era mais bonita. Gostava que escrevia e não era mesquinha, não era imatura, fútil ou infantil. Gostava que escrevia letras de água. Gostava que escrevia letras de ar.

Seria possível um ego mais megalomaníaco que o meu?

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