sexta-feira, 26 de junho de 2015

Como é mesmo?




Esse exercício foi engraçado por que eu li e pensei: e eu sei lá como eu escrevo? E ai comecei a escrever e desembestei. Muito autocentrada que eu sou. Achei bom, tudo é bom. Mesmo quando é ruim, acho que comi um livro de pollyana sem perceber, ou estou me tornando canadense para além do passaporte e do título.


Exercício 4


Eu escrevo menos do que eu gostaria. Eu escrevo com medo e vergonha. Eu escrevo com uma mão enquanto a outra apaga, e a cabeça começa a reescrever. Escrevo pensando se alguém vai ler, se vai gostar.
Eu escrevo e me sinto em uma corrida de obstáculos, tentando desviar da vergonha e do medo, mas sempre tropeço num ou noutro. Eu escrevo e me perco nas voltas que minha mente dá. Eu escrevo com arrependimentos.
Eu escrevo sem muita convicção, e as letras saem frouxas.
Eu escrevo com dor e paixão e as letras saem duras.
Eu escrevo com vergonha e medo e as letras saem derrapando.
Eu escrevo com saudade e tristeza e as palavras saem salgadas e úmidas.
Eu escrevo mal e me repito.
Eu escrevo sem criatividade e as letras saem todas iguais.
Eu escrevo e releio, corto, risco e apago. Eu escrevo em cadernos, em folhas perdidas, em margens de livros, em papéis avulsos. Eu escrevo muito mas não tenho nada a dizer. Eu escrevo muito, meu umbigo me fascina.
Eu escrevo em papéis e cadernos e depois reescrevo tudo no computador.
Eu escrevo antes de dormir, quando a casa está escura e só se escuta o ressonar dos que já dormiram.
Eu escrevo pouco.
Eu escrevo mal.
Eu escrevo sempre um pouco no meu quintal.
Eu escrevo versos quando desejo prosa.
Eu escrevo contos quando desejo vãs filosofias.
Eu escrevo tentando escutar ideias frenéticas. Eu escrevo pensando se estou no caminho certo e mais uma vez me perco.
Eu escrevo o que outros disseram. Eu traduzo e transcrevo o que gostaria de ter dito.
Eu me afogo nas palavras que nem disse ou escrevi.
Eu escrevo e acho que nunca mais vou parar. Eu escrevo diários e listas de compras.
Eu escrevo recados e digito conversas.
Eu escrevo minha vida, para encontrar o sentido da realidade perdida.
Eu escrevo com sono e as letras se misturam com sonhos.
Eu escrevo sem parar e as letras se misturam com a pressa e o atraso.
Eu escrevo com caneta num caderno, e quase me perco quando o sono fica maior que a caneta e que eu. 
Eu escrevo em ondas. Eu escrevo em enxurradas. Eu escrevo em tempestades. Minha escrita dá e passa e depois volta e assim pra sempre.
Eu escrevo menos do que desejo e mais do que deveria.


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