sábado, 27 de junho de 2015

Espantos e deslumbramentos




Nesse exercício tínhamos que fazer uma tradução. Pensando sobre ele lembrei da tentativa de um professor meu em explicar o que era Awe. E foi por isso que escolhi essa expressão. Foi uma escolha que tornou o exercício fácil. Porque eu já conhecia o significado da palavra mesmo antes da explicação do professor. Mas o jeito que ele usou para explicar por expressões faciais e inúmeros suspiros me fez pensar em  como traduziria aquelas expressões que vi em seu rosto, com o que eu já entendia ser a palavra. Foi fácil por ser um território conhecido. Mas porque a Ana deu tantas opções que eu fiquei perdida e não consegui pensar em outras opções. 
Depois vou pensar em desenvolver uma das outras opções para experimentar, traduzir textos é uma coisa que já faço então talvez achar uma música ou poesia, pra ser mais desafiador.






Em 2010 eu frequentava um curso de inglês. Meu professor nessa época era um senhor com cara de papai Noel. Cabelos e barba brancos, meio careca. Neozelandês emigrado nos anos 70 para o Canadá.
Um dia, numa de suas aulas, ele tentava nos explicar, uma classe de imigrantes de várias nações diferentes, o significado da palavra awe, essa expressão intraduzível do inglês.
A gente fica em awe diante de coisas distintas. Um burocrata escrevendo um dicionário poderia traduzir awe como um espanto, terror, ou encantamento. E awe é isso, mas não apenas. Awe é aquele baque no peito, aquele descompasso de batimentos do coração que sentimos quando vemos maravilhados algum acontecimento em nossas vidas.
Eu tenho momentos de awe recorrentes quando assisto espetáculos pirotécnicos. Os estrondos surdos seguidos da chuva de cores sempre me comove. Também me lembro de experimentar algo assim quando há muitos anos atrás visitava o aeroporto para  ver os aviões pousando e decolando. E ainda hoje é um momento de profundo êxtase e admiração aquele instante em que o avião descola as rodas do solo e flutua solto no ar, meu estomago sempre fica assim suspenso, mesmo eu não estando no ar com ele, mesmo que nos aeroportos agora todos fechados por vidros diminua e muito o frisson do momento. Crepúsculos vermelhos com sóis redondos gigantescos, ondas do mar explodindo na arrebentação, os agudos da voz inigualável da vocalista do MadreDeus, também me produzem o mesmo efeito.
Para mim talvez a melhor tradução de awe seja o que a gente perde ao deixar de sentir as belezas da vida, de perceber as delicadezas de céus azuis e as doçuras das ondas lambendo nossos pés na beira do mar ou envolvendo nosso corpo num mergulho.
Awe talvez seja o momento em que a gente encontra uma onda. Quando na maré cheia, de pé deixamos que ela cubra nosso corpo, nos embale, é aquele momento impossível, em que antes de nos cobrir vemos, ou antes adivinhamos, o tubo que ela fará depois de passar por nós e antes de explodir na areia. Awe para mim é esse momento em que sinto a onda, me sinto uma onda, me torcendo e explodindo em som e remanso.

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