Dos hábitos que não tenho, o de beber café é o que mais me assombra aqui na América do Norte.
Explico. No ambiente em que cresci café foi sempre uma bebida associada aos hábitos matinais. Acordar tomar café com leite num copinho de geleia mocotó ou numa xícara. Biscoitos Maria ou Maizena mergulhados no café com leite... hum que lembrança deliciosa da minha infância.
O café como aperitivo ou digestivo eu só provei quando já estava na faculdade, fazendo estágios almoçando na casa de colegas de trabalho. O café forte puro em uma xícara minúscula. Uma iguaria.
O café aqui não é isso. O café aqui, apesar de nunca ter provado, é uma experiência diferente, o café aqui é um companheiro. Um acompanhamento do dia. As pessoas aqui passam seus dias com suas canecas de café. Canecas que se parecem com jarras, com taças de milkshake. Canecas gigantescas sempre cheias, frequentemente reabastecidas de café. Café misturado com tudo que possa se imaginar inclusive café com leite, servido quente no inverno e gelado no verão, mas sempre em tamanhos avantajados para o meu olhar imigrante.
Quase 4 anos depois de chegar aqui ainda me espanto em ver as pessoas carregando suas canecas enormes pela cidade.

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