sábado, 14 de julho de 2012

Caixinha de música

Quando eu tinha 10 ou 11 anos meu pai viajava muito à trabalho ele ia ao menos uma vez por mês para o Rio de Janeiro e São Paulo e sempre que voltava nos trazia presentes. Numa dessas vezes pedi que ele me trouxesse uma caixinha de música.
Nessa época eu sonhava com caixinhas de músicas dessas que vem com a bailarina dentro que fica girando ao som da música, talvez por causa do musical infantil da globo que assisti nessa mesma época.



Quando ele voltou dessa viagem eu estava ansiosa para ganhar a caixinha de música dos meus sonhos. Foi com alguma decepção que recebi um panda de plástico que tocava uma melodia quando puxávamos uma corda. Fiquei bem triste até puxar a corda e escutar a melodia. 
Era a música que é parte da trilha sonora da Noviça Rebelde - Do ré mi. Eu adorava/adoro (me julguem) esse filme e amei o som da melodia do meu panda de música.
Guardei o pandinha na minha caixinha de tesouros. E quando finalmente resolvi ter filhos muito muito tempo depois da morte de papai, resolvi que este era o presente que ele tinha deixado para nosso filho. O nome do meu filho começa pela mesma letra do nome de papai, esse pequeno signo junto com o panda foram a maneira que encontrei de manter papai dentro da minha história e de fazer uma ligação dele com imaginário das crianças não apenas pelas fotos e estórias da minha infância. Foi uma forma de trazer papai, de fazer ele presente. 
Enfim o panda sofreu horrores nas mãos imprudentes do meu bebe, mas foi salvo e reconstruído e está aqui tocando. Essa semana ele saiu da toca de dentro de uma das caixas da mudança e está enchendo nossa nova casa com sua melodia.
E a menina me diz: 
"Amo muito ele mamãe e vou fazer muito cuidado (faire beaucoup d'attention) para não quebrar o panda de vidro!" 
"Deixa eu colocar para tocar de novo?"

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