Há duas semanas atrás, eu e meus colegas de curso, vimos um filme quebequense chamado " Vivre avec l'art... Un art de vivre". Um documentário sobre um colecionador de arte moderna. Desde então venho ruminando tentando colocar os pensamentos em ordem para poder escrever algo.
O filme fala da relação do colecionador e sua coleção e também com a arte, como ele vive essa paixão, o impacto que as obras que ele coleciona tem sobre sua vida. Por que e como ele começou a sua coleção. Esse filme me emocionou bastante... Por vários motivos que nem mesmo sei explicar, em um determinado momento do filme o protagonista lê partes de um livro que ele está escrevendo sobre o seu amor pela arte.
Não me lembro exatamente das palavras, mas em resumo ele fala da felicidade que sente ao aventurar-se na descoberta de uma obra de arte, descobrir o artista, tentar entender o que o levou a expressar-se daquela maneira, descobrir a beleza das emoções que ele sente ao contemplar uma obra de arte, e também das que levaram o artista a criá-las. Aventurar-se no desconhecido e achar nesse universo um reflexo de si de suas próprias emoções.
Achei o filme maravilhoso, a experiencia toda na verdade, ir com os colegas e professor, assistir um filme em francês quebequense sem legendas. Uma imersão num mundo diferente, fiquei tateando no escuro do cinema as minhas próprias emoções, encantada diante da esplendida coleção , obras magníficas, inesperadas, engraçadas, ousadas, incríveis e por vezes desconcertantes. Além de todo o esforço mental de tentar compreender e poder interagir com a mensagem que a diretora quis passar.
Tive ainda como bônus a chance de conhecer ambos diretora e protagonista e ouvir o que eles tinham a dizer ouvi-los responderem as perguntas da audiência e o que para mim foi o equivalente a pisar na lua, fazer eu mesma um comentário, ter a coragem de me arriscar a falar das minhas emoções numa língua que não domino ainda, foi um passo enorme para meu amadurecimento como pessoa, uma coisa gigantesca que nunca acreditei possível de fazer e provavelmente jamais faria antes de ter vindo para cá.
Impressionante, como sinto agora que não sou mais a mesma depois da imigração sou outra, eu misturada, aculturada e ao mesmo tempo em contato ainda mais profundo com minha própria herança cultural. Não sei bem como é isso, sei que é paradoxal, mas cada passo que dou em direção ao aculturamento fico mais em contado com minha próprias raízes, tenho mais consciência de quem eu sou e qual é minha bagagem e do que sou capaz.
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