segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Esta semana termina o 4º concurso de blogueiras lá no Blog da Lola. O tema é: A origem do meu feminismo.
Desde que vi o tema fiquei involuntariamente pensando na origem do meu - e embora eu às vezes ainda faça e diga coisas horrivelmente machistas, felizmente cada vez com menos frequência, eu tento ser feminista, eu ouso me denominar feminista. Eu leio e me informo pois, eu quero parar de reproduzir estes padrões.
Enfim pensei e refleti e pensei ainda um pouco mais, mas não cheguei a um marco que possa dizer que seja único que marque o início. Meu feminismo é como um vulcão estava presente e um dia explodiu. Vem de lá do fundo e foi expresso várias vezes por ações irrefletidas.
Como quando, ainda criança, eu enchia o saco das bonecas ou da casinha e ia brincar de jogar futebol, bola de gude e carrinho com meninos.
Ou quando não queria usar vestidos ou saias por que me sentia atada preocupada com a postura e se a calcinha ia aparecer.
Ou quando deixei de querer ser arrumadinha e bonitinha com 11/12 anos decidi parar de pentear os cabelos e obstinada passei um ano inteiro sem pentear a juba.
Quando na adolescência depois da primeira tentativa de esticar o cabelo, desisti pois tal sofrimento não tinha justificativa aceitável, aceitei então o meu cabelo cheio de cachos e fora do padrão de beleza ideal.
Ou quando achava injusto mamãe ficar em casa arrumando, cozinhando, limpando, enquanto papai só trabalhava e mais nada.
Quando desisti de ser virgem e mandei às favas toda a lógica católica e pudores e comecei a minha vida sexual.
Quando na universidade andava de legging, raider e camisão sem soutien, para horror de várias colegas.
Quando anos depois encontrei um homem que lavava pratos, fazia faxina e cozinhava e pensei: este vai ser meu.
Quando resolvemos morar juntos e enquanto todos ainda esperavam um casamento, decidimos que era hora e ficamos grávidos.
Todas as vezes em que me perguntavam se eu ia preparar o prato do meu namorado/marido em festas ou reuniões de fim de ano e eu me recusava terminantemente, explicando que se ele estive com fome já teria se servido.
Ainda quando expliquei a minha sogra que tentava me empurrar para a cozinha na casa de praia para preparar o café da manhã do meu marido, que eu estava toda arrumada para ir fazer minha caminhada e ele ainda estava dormindo no quarto e era perfeitamente capaz de fazer sua própria comida, assim que acordasse, como era costume na nossa casa.
Todas essas coisinhas, esses passos que eu dei, se acumularam e no dia que me descobri grávida elas se somaram e vieram a tona e eu explodi de feminismo! A gravidez me deixou muito preocupada pois estes esteriótipos que eu abomino, e que várias vezes recusei sem refletir ou avaliar a causa, se reproduzem por todos.
Eu mesma os reproduzo, quem dirá avós, tios, primos, padrinhos, coleguinhas, professores e o mundo todo o tempo inteiro. Eu fiquei preocupada e decidi tentar não reproduzir nada disso. Decidi ensinar a meu filho que ele é igual as meninas, que tod@s tem os mesmos direitos, que tem que respeitar todos independente de cor, de gênero, de religião. E eu realmente já me achava muito feminista, mas ai eu me descobri grávida de novo e de uma menina!
E o vulcão entrou novamente em erupção por que para evitar reproduzir os esteriótipos que estão enraizados muito mais fundo em mim por que sou mulher e fui criada com todos eles, reproduzindo-os ou me revoltando contra eles, como fazer?
Estou nessa luta contra príncipes e princesas, barbies e dinossauros, carrinhos e bonecas, ferramentas e panelas, cor-de-rosa e azul. Enfatizando que todo mundo pode tudo, que todo mundo merece respeito, que tem que pedir desculpa, que tem que ser legal., que precisa brincar junto e partilhar os brinqued@s.
Que os brinqued@s são das crianç@s e não de menina ou menino. Por que o feminismo a gente precisa conhecer e aprender desde pequen@s para sermos adult@s melhores. Para sermos uma sociedade melhor!

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