Eu queria agradecer.
Queria agradecer à mamãe que me presenteou com o livro da Fal - "Sonhei que a neve fervia", que eu pedi e por ter me enviado ele. Agradecer a Fal que o escreveu. Escreveu esse livro lindo, sobre o sofrimento de sua perda, escreveu a sua vida e suas tristezas e toda essa dor ampla que ficou, quando o amor dela se foi. Ela escreveu sobre o amor e sobre como é viver sem ele. As sombras que a vida ganhou quando ele se perdeu.
Esse livro me fez chorar por várias madrugadas, me fez lembrar de mim, dos meus medos, das minhas dores. De sentimentos e sofrimentos escondidos, melancolias antigas que fingi ter esquecido. A Fal me acordou.
A Fal me fez voltar pros livros e para as anotações nos cantos das páginas, nos caderninhos, nos blocos de notas. A Fal me fez lembrar que leio por que gosto e como era impossível passar sem ler. Me lembrou que escrevo por que tem palavras que me torturam com sua grandeza, angústia, urgência e imensidão que não cabem em mim. E eu tenho que.
Depois de acordar estava faminta e tenho lido quase tudo que pousa por perto. Buscado PDF na internet, para sanar a urgência do tempo perdido. Lembrar de todos os livros indicados e que fisgaram minha curiosidade. E foi assim que li "Handmaid's Tale - Os contos de Aia" de Margareth Atwood indicação amorosa recorrente, insistente, da Ana R.. Ler esse livro me fez mergulhar numa porção de questões e perguntas que não sei responder, mas que estão por toda parte na minha vida, e mais importante do que encontrar as respostas para estas perguntas é saber que elas existem. É perceber que espaço para inquietações.
Eu queria agradecer a essas mulheres que me lembraram do que eu sou e que mesmo depois de tanta mudança ainda consigo me reencontrar e reconhecer nas coisas que apesar de esquecidas e adormecidas fazem parte de mim.
Ter tantas certezas arrancadas de mim, ter tantos questionamentos na cabeça, tanta coisa nova para processar me afastaram disso que por tanto tempo me definiu. E depois de mais um fim do mundo que não veio a fila de livros e PDFs me aguardam para saciar a sede e a fome de letras e pensamentes e reflexões que só os livros são capazes de me dar.
Eu queria agradecer -não só, mas também a essas mulheres que todas juntas, acidentalmente e involuntariamente, me buscaram de lá onde eu estava. E eu tô de volta nessa estrada de letras e leituras me perdendo e me achando de novo.
Obrigada.
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