Alerta Spoiler!!!!
Eu li os 50 tons. Os três. Sempre fui devoradora desse tipo de literatura fácil de digerir. Júlia e Sabrina foram e são companheiras minhas. Não me envergonho disso apenas me recuso a pagar por elas e com os cinquenta tons foi assim também li por que não tive que pagar pelas cópias senão não me daria ao trabalho.
O livro foi uma experiencia bem interessante, concordo com o que já foi dito sobre como foi mal escrito, a literatura é pobre as descrições ficam cansativas pela repetição de expressões e palavras ao longo da narrativa, mas o livro me interessou e eu li todos três muito rapidamente.
Li também incitada pelo tanto que foi falado dele, pela curiosidade e para ter minha opinião, vi muitas pessoas falado da relação dos personagens como abusiva de como ela se submete a ele por ingenuidade e por que ele a manipula por sua maior experiencia sexual e tal.
Eu não concordo que haja manipulação e abuso na relação, não enxerguei isso na trama. Concordo que poderia até haver, mas Ana impõe os limites dela, ela impõe sua vontades muitas vezes, apesar do medo de perdê-lo, da insegurança frente ao desconhecido, inusitado e de não poder buscar apoio em ninguém. Ainda assim ela se impõe. Acho que dentro do que temos como sociedade o livro não faz apologia a submissão da mulher à relações abusivas.
Há no livro passagens muito piores que refletem o machismo da nossa sociedade, de slut-shaming e de preconceito com o estilo de relação BDSM que a trama do livro propõe. Há muito mais desrespeito às relações BDSM e a ânsia de demonizá-la, mesmo descrevendo recorrentemente cenas de prazer sexual em relações BDSM, a demonização da relação é sempre reiterada e cercada por preconceitos. A demonização de quem pratica e a demonização da escolha por este tipo de relação. A demonização colocada no discurso de que Christian só curte e se relaciona assim por causa do seu trauma de infância. Isso eu achei muito mais pernicioso do que a própria relação deles como foi colocada. Esse discurso é uma constante nos 3 livros e em toda a história ele só é contradito por um personagem em uma única cena apenas. Achei isso o pior ponto pois o livro poderia ter sido uma grande fonte de informação e de grande ajuda a diminuir preconceitos para as pessoas que curtem BDSM.
Outra coisa que me chamou atenção no livro é o endeusamento das instituições da nossa sociedade. O casamento, a família e mesmo o amor romântico surgem na trama como a solução, a salvação e expurgação de todo o mal. Como se essas relações em que não há BDSM e que são consideradas normais não pudessem ser abusivas apenas por serem mais socialmente aceitas. Achei esse foco nas instituições da família tradicional e do amor romântico comercial (família margarina, casamento e talz) o louvor a essas instituições levam a história a um lugar comum que além de previsível, deixa a trama muito ingênua e decepcionante.
Além desses pontos tem sempre o questionável modelo de galã rico, lindo e jovem que salva a mocinha pobre, linda e ingênua de uma vida sem interesse e que a traz para a luz, para a felicidade que só o homem branco, rico, educado e poderoso podem prover.
A história é bem fraquinha as cenas são picantes e seu sucesso diz mais sobre nossa sociedade doente do que sobre a capacidade literária da autora. A repetição dos preconceitos, a perpetuação de padrões ditos normais assegurados no final feliz da família tradicional são para mim a razão de um sucesso tão magnifico no mundo editorial.

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