segunda-feira, 7 de maio de 2012

28 anos sangrando



Fui das últimas a menstruar, na minha turma do colégio, eu queria muito menstruar, fiquei muito ansiosa por muito tempo. Até que aconteceu, no dia 29 de setembro de 1984, eu tinha acabado de completar 13 anos, meu aniversário é em julho. Minhas amigas todas já tinha ficado menstruadas no ano anterior ou antes ainda. 
Fui ensinada a não revelar que estava menstruada, minha avó nos proibia de comer algumas coisas me lembro que sorvetes eram proibidos, abacaxis também. Minha avó se referia à  menstruação como incômodo, minha tia chamava de boi, eu nunca gostei de chamar assim. Minha mãe falava sempre em menstruação. 
As amigas da escola falavam que estavam naqueles dias e estavam sempre preocupadas se o absorvente estava aparecendo, fazendo volume no fundo das calças. Ninguém queria ser descoberta menstruada. Era um misto de pudor, de vergonha, de medo. Tínhamos que manter o segredo. Por que eu nunca me perguntei ou tentei descobrir, mas achava uma besteira.
Nessa época eu estudava numa escola dirigida por freiras o uso de absorvente interno era um tabu do tamanho de um bonde e todo mundo achava que tirava a virgindade. Ninguém ousava tentar, muito menos eu! Nos dias de praia e piscina era o inferno sem coragem de usar absorventes internos, sem poder admitir que tava menstruada. 
Depois que mudei de escola, para fazer o científico/colegial que hoje equivale ao ensino médio tivemos uma palestra sobre saúde sexualidade onde se falou de absorvente interno e recebemos até amostras grátis de O.b. nunca usei. O tabu e o medo eram maiores, do que minha curiosidade naquela época!
Só passei a usar absorventes internos depois de perder a virgindade, até tentei antes umas duas vezes sem sucesso em situações extremas. Com o tempo desenvolvi uma técnica de recortar os absorventes externos no tamanho exato do fundo da calcinha, ir para praia de biquine escuro, e ficar a maior parte do tempo dentro d'água... Funcionava por que meu fluxo nunca foi muito forte, e podia usar absorventes finos.
Depois das gravidezes desenvolvi diversas alergias aos absorventes mesmo os internos me causavam assaduras. Só podia usar Tampax ou carefree todo o resto me assava. Depois de entrar para lista de discussão das Blogueiras Feministas descobri a existência dos coletores menstruais, comprei um e mudei minha vida.
O tempo da menstruação diminuiu o cheiro do banheiro sumiu e as alergias deixaram de me incomodar. Depois das gravidezes a cólica menstrual que no começo da minha vida menstrual eram, algumas vezes, muito fortes praticamente sumiram.  
Não sei como as adolescentes hoje se relacionam com as suas menstruações. Eu sei que hoje sou muito mais livre do que já fui em relação a ela. Apesar de até hoje não entender o motivo de se esconder a menstruação das meninas na nossa sociedade. Muitas das minhas amigas não gostam da menstruação ou se queixam de incômodos cólicas, ninguém fala disso com homens é um assunto estritamente feminino, mesmo para as amigas casadas.
Hoje é a Segunda Vermelha e esse post é parte da blogagem coletiva. Vamos falar de menstruação!

3 comentários:

Lívia disse...

td bem q sou mais nova mas ainda em minha geração existem mtos tabus...
tb nunca entendi o pq esconder essas coisas, eu eh q eu nunca liguei. os meninos na escola ateh axavam engraçado q qndo tava irritada virava pra eles e avisava pra num mexer cmg q tava d TPM, enqnto as outras meninas num se podia nem saber q estavam "nos dias"

Lady Sybylla disse...

Quando adolescente eu lidava muito mal com menstruação. Odiava tudo o que acontecia, odiava absorventes, as cólicas, tudo.

Depois de adulta aprendi a conviver com ela, mas evitava pensar muito no processo, pois iria me incomodar. Sei que é um processo importante e natural do corpo, mas não me dou bem com ela. Tenho alergia aos absorventes comuns e tomei bronca do ginecologista por usar os internos.

Por conta de problemas de coluna, a TPM se tornou uma tortura. As cólicas se confundem com as dor das costas e por não conseguir fazer grandes movimentos, eu acabava sem condições de fazer minha higiene, tinha dificuldades até de andar. Foi aí que pedi ao ginecologista para suspender minha menstruação, para me dar um alívio no tratamento da coluna.

Sei de pessoas que não têm problemas com ela, mas sei de outras que também sofrem. Acho que se hoje temos a possibilidade de ter mais conforto com ela, é válido utilizá-los.

Minha mãe diz que depois da gravidez, os sintomas da TPM e as cólicas praticamente sumiram. Eu nunca engravidei, não sou mãe, mas quem sabe ainda há esperanças? rs

Abraço!

Liliane Gusmao disse...

Bem-vindas ao Blog!
Obrigada pelos comentários. A gente aprende mesmo a ter uma relação com nossas menstruações e só ao escrever esse texto me dei conta da dimensão temporal da menstruação na minha vida! Quase 30 anos é uma vida.
Passei por muitas fases e foi ótimo escrever sobre esse evento mensal para refletir sobre ele. Agradeço os comentários!
Principalmente o seu Sybilla que me fez lembrar de duas amigas que sofreram horrores com suas menstruações e apesar de no começo da minha adolescência eu achar a menstruação um sofrimento eu olhava para elas e ficava aliviada por não sofrer tanto...
beijos