terça-feira, 31 de janeiro de 2012

No último minuto


O Segundo Sexo estava na estante da minha casa. Lembro da capa velha surrada. Me interessei por ele no começo da adolescência, logo após começar a lê-lo sumiu. Confesso que do pouco que li, pouco lembro e menos ainda consegui entender do que se tratava o livro. Provavelmente por isso não procurei por ele, não questionei seu sumiço. Anos depois descobri que mamãe tinha escondido por que achou, pelo título, que não era leitura condizente com minha idade na época. Ela também nem se interessou em ler para saber do que se tratava o livro.
Depois de milênios me deparei de novo com Simone. Estava na faculdade. Umas amigas da minha irmã, que cursava jornalismo, fizeram seu trabalho de conclusão de curso sobre como teria sido um encontro entre Simone de Beauvoir e Frida Kahlo. O trabalho delas virou um vídeo do qual vi alguns pedaços, mas mais uma vez não me interessei em lê-la.
Hoje apesar de me assumir feminista, ainda não li Simone. Confesso, não li nenhuma feminista embora tenha tentado e começado alguns livros. Não sei o motivo ou talvez saiba, mas não consigo expressar.
Tenho uma revista sobre a vida e obra de Simone presente de minha irmã querida. Comecei a lê-la não terminei ainda. Compreendo sua importância. Graças a sua luta e a de muitas outras feministas como ela, hoje tenho muitos privilégios que foram impensáveis para outras mulheres no mundo todo. Como a minha avó analfabeta, que nunca teve direito a educação e escola. Para ela não houve opção. A vida era casar, ter filhos, cuidar da casa e do marido. Papel que ela cumpriu.
Sua obra literária ainda me é desconhecida, mas isso não faz dela menos ídala para mim. Vejo os desdobramentos de seus pensamentos na minha vida, no mundo em tantas conquistas. Agradeço a ela todas as escolhas que conscientemente ou não eu fiz e só pude fazer por que o feminismo existe, e feministas lutaram, lutamos e conquistamos tantas vitórias. A luta não terminou, talvez nunca acabe nunca. Eu luto pelo fim do feminismo. Quando formos todas livres não haverá mais batalhas para travar.
Escrevo em homenagem a ela que foi um marco no feminismo mundial. No último minuto, no mês de seu aniversário, minha homenagem a ela que com suas inquietações e indagações nos deu uma grande pista de que somos o que aprendemos a ser. Que somos livres para aprender o que é ser mulher, que esse é o nosso direito. Não há ninguém que possa nos definir, limitar ou classificar, que não há nada que uma mulher não possa fazer.

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