
Faz tanto tempo mas ainda lembro de uma vez, num Abril pro Rock, não lembro o ano. Esperávamos para ver o show do Mestre Ambrósio, eu já namorava meu marido, estávamos zanzando procurando um lugar para sentar e esperar enquanto o nosso show não começava, encontramos com uma amiga e começamos a conversar.
Foi quando do meio da multidão saiu um casal brigando, ele gritava com ela e a empurrou, ela caiu então ele a puxou pelos cabelos e começou a socá-la no estomago e ela gritava chorando, as amigas tentavam ajudar e ele empurrou uma delas, e todas afastaram-se desesperadas, impotentes. Todo mundo olhava mas ninguém tomava uma atitude. E ele batia nela enquanto a segurava pelos cabelos... Uma cena horrível...
Ao escrever sinto o mesmo horror que senti na hora. Olhei para meu namorado, ele nem tinha visto, estava conversando... Mostrei a ele e comecei a correr e a gritar por ajuda. Gritava: "Ele está batendo na menina!" "Cadê os seguranças?" Acho que passei uns cinco minutos gritando no meio do barulho, do show que rolava, até achar um grupo de seguranças conversando... Puxei um deles gritei que tinha uma menina sendo espancada. Mostrei a cena eles correram para salvá-la. Então nessa hora juntou uma multidão, todo mundo ficou valente... O cara foi expulso do local. Não a vi mais. Nem sei o que aconteceu com ela...
Não fiquei para ver o Mestre Ambrósio. Impossível. Fechava os olhos e via cena. Isso me marcou para sempre.
Fui para casa pensando que tinha muita sorte de nunca ter sido vítima de violência física. Naquela época eu pensava que violência contra mulher era apanhar de pai, parente, namorado ou parceiro. Nem sabia que haviam muitas outras formas de violência que eu nem me dava conta e que sofria, diariamente...
Os estranhos do ônibus que tentavam se encostar para tirar uma lasquinha, ou outros na ruas com suas cantadas grotescas, homens desconhecidos que se sentiam à vontade para aproveitar, para emitir suas opiniões sobre meu corpo, meu caráter. Nunca antes tinha pensado que tudo isso são formas de violência. E tudo isso me aconteceu por que sou mulher.
Foi quando do meio da multidão saiu um casal brigando, ele gritava com ela e a empurrou, ela caiu então ele a puxou pelos cabelos e começou a socá-la no estomago e ela gritava chorando, as amigas tentavam ajudar e ele empurrou uma delas, e todas afastaram-se desesperadas, impotentes. Todo mundo olhava mas ninguém tomava uma atitude. E ele batia nela enquanto a segurava pelos cabelos... Uma cena horrível...
Ao escrever sinto o mesmo horror que senti na hora. Olhei para meu namorado, ele nem tinha visto, estava conversando... Mostrei a ele e comecei a correr e a gritar por ajuda. Gritava: "Ele está batendo na menina!" "Cadê os seguranças?" Acho que passei uns cinco minutos gritando no meio do barulho, do show que rolava, até achar um grupo de seguranças conversando... Puxei um deles gritei que tinha uma menina sendo espancada. Mostrei a cena eles correram para salvá-la. Então nessa hora juntou uma multidão, todo mundo ficou valente... O cara foi expulso do local. Não a vi mais. Nem sei o que aconteceu com ela...
Não fiquei para ver o Mestre Ambrósio. Impossível. Fechava os olhos e via cena. Isso me marcou para sempre.
Fui para casa pensando que tinha muita sorte de nunca ter sido vítima de violência física. Naquela época eu pensava que violência contra mulher era apanhar de pai, parente, namorado ou parceiro. Nem sabia que haviam muitas outras formas de violência que eu nem me dava conta e que sofria, diariamente...
Os estranhos do ônibus que tentavam se encostar para tirar uma lasquinha, ou outros na ruas com suas cantadas grotescas, homens desconhecidos que se sentiam à vontade para aproveitar, para emitir suas opiniões sobre meu corpo, meu caráter. Nunca antes tinha pensado que tudo isso são formas de violência. E tudo isso me aconteceu por que sou mulher.
Um comentário:
E isso que não cessa de doer não pode parar de ser lembrando e dito..que bom que hás espaços como esse e pessoas como você que não nos deixam calar nem esquecer. Bjs
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