sábado, 14 de maio de 2005

O rio passa embaixo da minha varanda!

O rio passa aqui em frente, passa aqui manso! Há toda uma fauna, que vive dele, isso me pasma pois nós o poluímos bastante! Desde o interior até aqui, há poucos quilômetros do seu encontro com o mar, o Capibaribe sofre inúmeros ataques de nós, gente civilizada, que construímos cidades às suas margens! De esgotos à mobília velha tudo é nele atirado!
Mas ele continua servindo a seus inquilinos, garças (de onde elas vieram?), jandáias, lavadeiras peixes, crustáceos e um monte de outros animais e gente também, estão lá vivendo, brincando e caçando, enquanto eu admiro essa natureza viva aqui do meu camarote!
As crianças das favelas vizinhas fazem a festa nos dias de maré alta passam hora a pular e brincar nessa água suja, se divertindo pra valer, saltos triplos, mortais ou simplesmente tapando o nariz com as mãos e se jogando na água de qualquer jeito! Risos e gritaria a tarde toda, ele oferece aos destituídos de tudo que povoam as favelas do Recife!
Os esportistas passam, cedinho diariamente, em seus caiaques remando contra a corrente, subindo o rio em direção a Casa Forte, com as garças voando sobre suas cabeças! E depois de volta em direção ao Pina enquanto eu tomo meu café da manhã!
Canoas passam de tempos em tempos, pescadores - homens fortes, de pé, incrivelmente equilibrados naqueles botes frágeis - jogam suas redes em busca de peixes! Será que eles comem essa pesca, eu me pergunto! O rio é lindo, mas horrivelmente poluído, será que eles tem coragem!?
Essa semana, com as chuvas, o rio transformou-se num lindo gramado de baronesas, mudou de cor, de seu marrom habitual passou a cor de lama , de barro alaranjado!
Passa tudo isso embaixo da minha varanda!

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